quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Outono.

 





Há qualquer coisa de mágico nestes dias, na luz doce filtrada pelas cores intensas das árvores, que estão naquele ponto de cor como um fruto amadurecido, os frutos têm perfume e sabores densos, tão diferentes daqueles que se saboreiam no Verão. Por estes dias em que a luz é mais doce, que parece envolver-nos num abraço, o Outono vai-se instalando, lentamente, sem pressa, a chuva ainda indecisa, mesmo se em alguns dias chega com uma carga mais intensa, e o vento que nos arrefece o rosto e as mãos. Por estes dias procuramos o aconchego do fim do dia nas mantas, nos sofás, nas velas espalhadas pela casa e em comida de conforto. Para um desses dias uma receita leve e aveludada, um puré de batata doce. Doce e delicioso como um dia de Outono.
 
E musica linda assim no mesmo espírito.
 
Como fazer:

3 batatas doces + 2 maçãs + 1 cebola + 1 dente de alho + 2 chávena de chá de leite + sal + pimenta preta + 1 colher de sopa de manteiga + 1 haste de alecrim

Parte-se os legumes todos em pedaços pequenos para uma panela, exceto o alecrim, e acrescenta-se o leite. Tempera-se com o sal e a pimenta preta e leva-se ao lume a ferver. Deixa-se estar, mais ou menos 20 minutos, até os legumes estarem cozidos e absorverem praticamente todo o leite.
Decorrido este tempo, passa-se com a varinha mágica, até deixar de haver grumos. Leva-se de novo ao lume e acrescenta-se a manteiga. Deixa-se estar mais 5 minutos. No momento de servir adiciona-se o alecrim.
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Outra possibilidade.








Confesso que nunca fui muito fã  No universo dos legumes a couve-flor fica(va) sempre nos últimos lugares. Apesar de gostar muito desta sopa. Fica sempre bem, sabe-me sempre bem. Depois todas as outras possibilidades não eram possibilidade. Até ao dia em que achei que deveria dar mais oportunidade a este legume tão bonito, devemos sempre dar mais uma oportunidade, seja ao que for. E, então, lembrei-me, que seria uma combinação feliz, conjugar este legume com queijo parmesão, num gratinado. E estava tão certa na minha intuição. Fica delicioso. Vai bem como acompanhamento de carne ou de peixe. Ou então assim, a valer por si só.

Com o gratinado um vinho delicioso.  E as palavras de um livro que foi lido por estes dias.
 
"Era assim que devíamos amar - sem medo, sem barreiras, sem pensar no amanhã. E, depois, mais tarde, sem arrependimento"

Como fazer:

1 couve-flor + 1 chávena de leite + 1 cebola + 1 folha de louro + 3 colheres de sopa de farinha + 25 g de manteiga + pimenta preta + sal + 1 chávena de queijo Parmesão ralado (de preferência na hora)

Lava-se muito bem a couve-flor depois de separar os raminhos e reserva-se.
Leva-se a ferver o leite com a cebola cortada em quartos, a folha de louro e o sal. Deixa-se ferver 3 minutos e depois acrescenta-se a couve-flor e deixa-se cozer durante mais ou menos 15 minutos. Deverá ficar tenra mas não desfeita por isso convém ir vigiando. Retira-se e reserva-se.
Entretanto mistura-se a farinha, a manteiga e um pouco de leite morno. Ferve-se o restante leite sem a cebola e a folha de louro. Adiciona-se a mistura de farinha e deixa-se ferver até o molho engrossar. Tempera-se com sal e pimenta acabada de moer e deita-se sobre a couve-flor. Polvilha-se com o queijo Parmesão e leva-se a gratinar até dourar.
 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Limão e iogurte em forma de torta.




Apesar de fazer poucas vezes, é sempre uma alegria quando aparece este doce na mesa. Ficam sempre bem e deliciosas e são muito fáceis de fazer. Convém é fazer com tempo, para que o tempo ajude a dar forma à torta que se quer assim bem enroladinha. Esta versão de limão e iogurte pretende preservar o calor e a luz do Verão que já acabou. Mas que ainda assim é possível num pedaço deste doce.  

Como fazer:

8 ovos + 200g de açúcar +  açúcar para polvilhar + 2 iogurtes naturais + 30g de manteiga derretida + 1 colher de sopa bem cheia de farinha + Rapas de limão

Mistura-se a farinha com o açúcar e os iogurtes e bate-se muito bem. Depois acrescenta-se os ovos e a manteiga derretida e bate-se mais um pouco. Leva-se ao forno num tabuleiro, previamente untado e forrado com papel vegetal, também untado. Leva-se ao forno, previamente aquecido a 180.º durante mais ou menos 15 minutos.

Retira-se a torta do forno e coloca-se sobre um pano, previamente polvilhado com açúcar, e enrola-se com cuidado para não partir a torta.
 
Deixa-se arrefecer enrolada e depois de fria retira-se o pano com cuidado.

 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Salted Caramel.

 




Salted Caramel e um gelado que é uma delicia só. Apesar deste Verão ter sido completamente atípico, nunca fiz tantos gelados como este ano. E a imaginação vai sendo posta à prova. É preciso procurar receitas antigas, pesquisar o que se faz no mundo da blogosfera e inventar. Este é inspirado num gelado, de que gosto muito, da Häagen-Dazs .  Fiz a minha versão e ficou tão boa.
 
Como fazer:
 
Para o gelado:
 
2 pacotes de natas bem frias + flor de sal
 
Para o caramelo:
 
200 g de açúcar + 1 pacote de natas + 1 pitada de sal
 
Primeiro faz-se o caramelo assim:
Leva-se o açúcar e o sal ao lume e lentamente deixa-se fazer um caramelo muito claro. Retira-se do lume e junta-se as natas aos poucos. Caso forme grumos leva-se de novo ao lume até que fiquem desfeitos, mexendo sempre. Retira-se do lume e deixa-se arrefecer completamente.
 
Bate-se as natas bem frias até estarem firmes e depois acrescenta-se metade do caramelo, envolvendo com a batedeira em velocidade baixa.
Coloca-se alternadamente a mistura de natas e caramelo numa taça ou recipiente, que possa ir ao congelador,  e  o restante caramelo em fio. Por cima coloca-se a flor de sal e leva-se ao congelador, durante umas horas. 
 
E música linda para acompanhar.
 
 
 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Saudade.


A poesia de Corrêa d´Oliveira é assim como esta imagem, uma pausa de silêncio e meditação. Cheia de uma luz como só aqui, doce e tão bela, que ilumina de uma maneira misteriosa esta terra de ventos temperamentais e indomáveis.

"O que sou eu? - O Perfume,
Dizem os homens. - Serei
Mas o que sou nem eu sei...
Sou uma sombra de lume!
Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.
Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de sonho e verdade!
Passam os dias, e em vão!
- Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade"

António Corrêa d´ Oliveira
In Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

D´El Rei.

Imagem daqui.


"Que desgostos trazia [D. Sebastião], que a morte lhe pareceu afável e desejável? Quando o povo o esperava, vindo do nevoeiro, é porque recordava qualquer coisa de invulnerável que ele tinha por virtude própria. Era como sir Lancelot , a quem o amor poupava e por isso também o respeitava a morte. Fruto verde e perdido, menino sem mãe nem pai! De Esposende se avista, se quisemos, o seu barco negro, que espera subir o rio como um bergantim funerário, um dia. Em certas tardes paradas de Inverno, além das dunas de Fão, uma vela corre, e, se cuidarmos ir retomá-la na barra - não a veremos mais. O mugido da sereia cobre o estalido da água"

"Memória de Esposende", in Alegria do Mundo, vol. II

 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Pão de minuto.



Como gosto de fazer pão. E ainda mais assim, sem grandes complicações, sem grandes esperas.  Um pão que não é feito num minuto mas que é muito rápido e muito fácil de se fazer.
Mesmo sabendo que só a paciência nos leva ao odor que é abraço, do pão a fermentar, do pão a cozer, do pão que se parte e reparte, do pão que é alimento para o corpo e para a alma.
Dos minutos que se faz tempo. Dos minutos que se faz pão. Do tempo que nos preenche e nos complementa e nos alimenta.
 
Como fazer:

3 chávenas de chá de farinha + 1 colher de sopa de açúcar + 1 colher de chá de sal + 1 colher de sopa de fermento (normal) + 2 colheres de sopa de manteiga + 1 ovo + 1 chávena de chá de leite + 1 gema de ovo (para pincelar)
 
Coloca-se numa taça os ingredientes secos, mistura-se e abre-se um buraco ao meio. Adiciona-se depois a manteiga, o ovo e o leite. Mistura-se primeiro com um garfo e depois com as mãos até formar uma bola. Retira-se pequenas porções de massa e faz-se bolinhas, coloca-se num tabuleiro untado e enfarinhado deixando espaço entre cada uma, por fim pincela-se com a gema de ovo.
Leva-se ao forno pré-aquecido a 160 º durante mais ou menos 20 minutos.

Inspirado aqui.