A poesia de Corrêa d´Oliveira é assim como esta imagem, uma pausa de silêncio e meditação. Cheia de uma luz como só aqui, doce e tão bela, que ilumina de uma maneira misteriosa esta terra de ventos temperamentais e indomáveis.
"O que sou eu? - O Perfume, Dizem os homens. - Serei Mas o que sou nem eu sei... Sou uma sombra de lume! Rasgo a aragem como um gume De espada: Subi. Voei. Onde passava, deixei A essência que me resume. Liberdade, eu me cativo: Numa renda, um nada, eu vivo Vida de sonho e verdade! Passam os dias, e em vão! - Eu sou a Recordação; Sou mais, ainda: a Saudade" António Corrêa d´ Oliveira In Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
"Que desgostos trazia [D. Sebastião], que a morte lhe pareceu afável e desejável? Quando o povo o esperava, vindo do nevoeiro, é porque recordava qualquer coisa de invulnerável que ele tinha por virtude própria. Era como sir Lancelot , a quem o amor poupava e por isso também o respeitava a morte. Fruto verde e perdido, menino sem mãe nem pai! De Esposende se avista, se quisemos, o seu barco negro, que espera subir o rio como um bergantim funerário, um dia. Em certas tardes paradas de Inverno, além das dunas de Fão, uma vela corre, e, se cuidarmos ir retomá-la na barra - não a veremos mais. O mugido da sereia cobre o estalido da água"
"Memória de Esposende", in Alegria do Mundo, vol. II
Como gosto de fazer pão. E ainda mais assim, sem grandes complicações, sem grandes esperas. Um pão que não é feito num minuto mas que é muito rápido e muito fácil de se fazer.
Mesmo sabendo que só a paciência nos leva ao odor que é abraço, do pão a fermentar, do pão a cozer, do pão que se parte e reparte, do pão que é alimento para o corpo e para a alma.
Dos minutos que se faz tempo. Dos minutos que se faz pão. Do tempo que nos preenche e nos complementa e nos alimenta.
Como fazer:
3 chávenas de chá de farinha + 1 colher de sopa de açúcar + 1 colher de chá de sal + 1 colher de sopa de fermento (normal) + 2 colheres de sopa de manteiga + 1 ovo + 1 chávena de chá de leite + 1 gema de ovo (para pincelar)
Coloca-se numa taça os ingredientes secos, mistura-se e abre-se um buraco ao meio. Adiciona-se depois a manteiga, o ovo e o leite. Mistura-se primeiro com um garfo e depois com as mãos até formar uma bola. Retira-se pequenas porções de massa e faz-se bolinhas, coloca-se num tabuleiro untado e enfarinhado deixando espaço entre cada uma, por fim pincela-se com a gema de ovo.
Leva-se ao forno pré-aquecido a 160 º durante mais ou menos 20 minutos.
Por estes dias de calor o que apetece são comidas mais ligeiras, coisas simples, que não nos complique a vida nem a paciencia, o calor pede outros andamentos, mais leves, mais refrescantes.
As sopas frias são uma boa opção. E recorrer a receitas tão certas também. Quando olhei para esta receita soube logo que me iria saber bem, muito bem. E estava tão certa. É uma delicia, fácil e rápida de se fazer, depois é só deixar no frio até estar naquele ponto de tão refrescante que sacia.
A receita é a que deixo nas imagens. Segui à risca e só omiti a parte de acrescentar presunto. Fica deliciosa também assim.
Depois de uma temporada sem fazer bolos, sabia que quando retomasse o ritual teria que ser com uma receita bem especial. Quando vi este bolo aqui um sitio que sigo e que gosto muito, não consegui resistir muito tempo até experimentar. E é tão delicioso este bolo. Desapareceu num ápice. A seguir, os pedidos para voltar a fazer, não se fizeram esperar.
Com o bolo fica a música, que gosto muito, e que estava a ouvir. Por isso o titulo. Squander. Esbanjar.
Nota 1: Este bolo tem que ser feito com bananas bem maduras. Já experimentei com banans mais verdes e o resultado não é o mesmo.
Nota 2: Depois de feito parti o bolo ao meio e recheei com o ganache. Depois de colocar a outra metade coloquei o resto do ganache.
Como fazer:
Para o bolo:,
400 g de açúcar amarelo + 245 g de farinha + 75 g de cacau + 1 1/2 colher de chá de fermento + a mesma quantidade de bicarbonato + 1/2 colher de chá de sal + 2 ovos grandes + 1 chávena de bananas esmagadas + 240 ml de água quente + 120 ml de leite + 120 ml de óleo (usei de girassol) + 1 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
Untar e enfarinhar uma forma rectangular.
Misturar o açúcar, a farinha, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal e reservar. À parte misturar, os ovos, as bananas esmagadas, a água, o leite, o óleo e o extrato de baunilha. Acrescentar lentamente a mistura de ingredientes secos. Misturar bem sem bater demasiado. Leva-se ao forno a 180º durante mais ou menos 35 a 40 minutos. Convém verificar a cozedura com um palito.
Quando estiver retira-se do forno e deixa-se arrefecer.
Para o ganache:
200 g de chocolate (com 70% de cacau), partido em pedaços + 180 ml de natas + 1 colher de sopa de manteiga
Leva-se ao lume, em banho-maria, o chocolate, as natas e a manteiga, mexe-se sempre até estar tudo incorporado.
Quando o bolo estiver frio cobre-se com o ganache.
O resultado nunca desilude, ficam sempre bem e fazem as delicias de todos. E que linda que esta ficou. Esta pavlova que associou morangos a uma data muito, muito feliz.
Fica o doce. E fica a música, linda, que acompanhou gerações e que ficará para sempre associada a um tempo muito feliz, numa voz igualmente linda num dia lindo e glorioso de Primavera.
Como fazer:
12 claras + 600 g de açúcar + 1 pitada de sal + 2 colher de sopa bem cheia de Maizena + 2 colher de sopa de vinagre
Bate-se as claras em castelo com uma pitada de sal até formar picos, acrescenta-se aos poucos, por esta ordem, o açúcar, a farinha e o vinagre.
Desenha-se um circulo de 22 cm numa folha de papel vegetal, coloca-se num tabuleiro de forno e coloca-se o merengue dentro desse circulo formando picos e ondas.
Cozinha-se em forno pré-aquecido a 100 º durante 2 hora. Findo esse tempo desliga-se o forno e deixa-se arrefecer por completo lá dentro.
Entretanto prepara-se o recheio assim:
1 embalagem de natas + 4 colheres de sopa de açúcar + morangos + 1 pitada de sal + 4 colheres de sopa de açúcar + 1 colher de sopa bem cheia de vinagre balsâmico
Leva-se a bater as natas até estarem firmes, acrescenta-se de seguida o açúcar. Reserva-se no frio.
Partem-se os morangos em quartos, junta-se a pitada de sal, o açúcar e o vinagre balsâmico. Reserva-se até ao momento de servir.
No momento de servir coloca-se as natas batidas no centro da pavlova, por cima os morangos. Rega-se com o molho de morangos.
Com o passar dos anos descobrimos que o valor das coisas simples é imensurável. Não é preciso muito. Não precisamos de muito. A vida não é feita só de grande acontecimentos. As coisas mais pequenas e mais simples estão tão ao alcance das nossas mãos que por vezes nem as vemos. Há uma frase, entre outras, que me acompanha há muito tempo “Os que desprezam pequenos acontecimentos, dificilmente farão grandes descobertas". Tão certa esta formulação. Procuramos nas grandes coisas aquilo que só as pequenas coisas nos podem dar. Isto a propósito de uma coisa tão simples e tão fácil de fazer. Daquelas que se fazem num instante sem nos consumir a paciência e que nos sabe de uma forma indescritível.
Fica a receita de uma experiência que correu logo bem, e a música que acompanhou a descoberta de mais uma coisa simples.
Como fazer:
1 placa de massa folhada + 6 maçãs + 1 pisco de sal + 5 colheres de sopa de açúcar amarelo + raspa de uma laranja + 2 mãos cheias de uvas passas (sem grainha) + 1 cálice de Colheita Tardia (uso sempre este ) + 1 colher de sopa (bem cheia) de farinha + 1 mão cheia de amêndoa, com pele, palitada
Corta-se as maçãs em gomos e juntam-se os ingredientes todos, exceto a massa folhada e a amêndoa palitada, e deixa-se estar durante pelo menos uma hora. Coloca-se a massa folhada numa forma de mola e adiciona-se a mistura de maçãs. Por cima coloca-se a amêndoa palitada.
Leva-se ao forno a 180 º durante mais ou menos 20 minutos ou então até a massa estar bem folhada e douradinha.
Retira-se do forno.
Pode ser consumida logo com uma bola de gelado, morna ou fria. Fica bem, sabe bem de qualquer das maneiras.