quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Alfazema.






O regresso a casa e o regresso aqui, depois de muito tempo, pedia uma sobremesa assim. Doce, delicada, aromática. Voluptuosa até. É Italiana a origem desta sobremesa, mas já tão nossa também. Em italiano, Panna Cotta significa "nata cozida", ingrediente indispensável neste doce. E depois, tudo o mais que possamos imaginar.
 

Esta foi feita assim:
 
400 ml de natas + 100 ml de leite + 100 g de açúcar + 1 vagem de baunilha + 1 colher de chá de alfazema seca + 5 folhas de gelatina  
 
Unta-se umas forminhas com papel de cozinha embebido em óleo.
 
Leva-se ao lume as natas, o leite, o açúcar, a vagem de baunilha e a alfazema e deixa-se estar até começar a ferver. Retira-se do lume e deixa-se em infusão durante pelo menos 10 minutos.
 
Entretanto coloca-se a gelatina em água fria. Filtra-se as natas e acrescenta-se a gelatina espremida e mistura-se vigorosamente com uma vara de arames. Distribui-se pelas forminhas e leva-se ao frio até solidificar, caso seja necessário coloca-se no congelador para acelerar o processo.

No momento de desenformar, passa-se a ponta de uma faca à volta da forma para ajudar a descolar.

 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Transformar.






A matéria prima estava lá. À espera de ser transformada noutra coisa. Os espinafres numa sopa muito verde e aromática. O salmão à espera de receber uns sabores orientais e que iria servir de prato principal para gáudio dos meus rapazes. Mas depois, pelo meio dos dias, acontecem imponderáveis e é necessário reformular os planos. Mais gente para jantar implica ter mais comida. A matéria prima continuava lá. E era necessário arranjar uma alternativa. Com o salmão e os espinafres uma tarte que serviu de entrada. A acompanhar uma salada muito verde e fresca. E estava. A tarte que ficou deliciosa. A transformar os planos iniciais.

Como fazer:

2 placas de massa folhada + 1 molho de espinafres + 3 lombos de salmão + 2 dentes de alho + 1 fio de azeite + sal + pimenta preta + 1 pacote de natas + limão
 
Começa-se por temperar os lombos de salmão só com sal e umas gotas de limão e reserva-se de preferência durante algum tempo.
Entretanto leva-se ao lume uma frigideira com um fio de azeite e os dentes de alhos esmagados e deixa-se estar até estar bem quente e juntam-se os espinafres. Salteia-se muito rapidamente e tempera-se com um pouco de sal e pimenta. Retira-se do lume e reserva-se. Depois grelha-se o salmão também muito rapidamente, dos dois lados,  para que não fique muito seco. Retira-se e reserva-se. À parte tempera-se as natas com sal e pimenta preta, com cuidado junta-se os espinafres, previamente escorridos, e o salmão desfeito em lascas.
Coloca-se numa forma uma placa de massa folhada e adiciona-se a mistura de natas, espinafres e salmão. Por cima coloca-se a outra placa de massa e une-se a toda a volta. Faz-se uns furos na parte de cima da massa para que não empole quando for ao forno. Leva-se ao forno a 180º durante mais ou menos 20 minutos. Quando a massa estiver bem folhada e dourada retira-se e deixa-se arrefecer.

 Depois é só servir com um bom vinho. Desta vez tinto. Um vinho de que gosto muito. Este. 
 A acompanhar uma tarte de que todos gostaram muito.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Da previsibilidade das coisas.


Pensamos que as coisas são certas, que funcionam de uma determinada maneira. Que vamos estar sempre lá. Que é certo o nosso querer. Que é certo o querer dos outros. E de repente percebemos que tudo não passa disso mesmo. Previsibilidades. Que pode correr bem ou não. Ser só uma pequena ou grande lástima. Uma pequena ou grande catástrofe. E depois, no meio disto tudo, percebemos que mesmo assim pode haver em cada momento espaço para o encantamento, para os momentos belos de tão certos. E de como a vida se encarrega de colocar tudo nos seus devidos lugares. E, que no fim, no fim tudo vai correr bem mesmo que o caminho não tenha sido aquele que imaginávamos.

Para a minha sobrinha linda, de sorriso lindo, fica a receita do bolo de que gostou muito. E ficam também palavras sábias.

"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"
 

Como fazer:

1 iogurte natural + 4 ovos inteiros + 4 copos (iogurte) de açúcar + 2 copos (iogurte) de farinha + 2 copos (iogurte) de coco ralado +  2 copos (iogurte) de óleo + sal + raspa e sumo de uma laranja + 1 colher de chá de fermento em pó +  icing sugar

Bate-se os ingredientes todos juntos durante 5 minutos e de seguida leva-se ao forno a 180º num tabuleiro rectangular, untado e polvilhado, durante mais ou menos 30 minutos. Faz-se o teste do palito e quando estiver cozido retira-se do forno e desenforma-se. Quando estiver frio polvilha-se com o icing sugar.
 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Borboletas.



 
 
É talvez um dos símbolos mais inspiradores, pela capacidade de crescer e de mudar. De deixar a zona de conforto do casulo, para descobrir novos mundos, de uma forma leve, ligeira e graciosa. E, tal como elas, também nós estamos em constante movimento e passamos por diversas fases, vitais e necessárias. E passar para aprender e apreender, seguir em frente em busca de mais, mais beleza, mais inspiração, mais crescimento. Desde sempre que as borboletas me fascinam, por isso, pela beleza, pela liberdade. Por isso quando olhei para este prato lindo cheio de borboletas, pensei num bolo simples mas com um pequeno toque, aquele toque que fizesse toda a diferença.
Esta receita já é repetente mas desta vez quis dar-lhe um "twist", uma especiaria que o elevasse. Pimenta. E ficou tão bom. A harmonizar tão bem com as minhas borboletas. Assim leve, leve.
 
Como fazer:
 
150 g de manteiga + sal + 1 e 1/2 chávena de açúcar + 2 chávenas de farinha + 1 colher de sobremesa de fermento em pó + 4 ovos + 1/2 chávena de leite + sumo de 1 laranja



6 maçãs + 3 colheres de sopa de açúcar amarelo + raspa de uma laranja  + 1 colher de chá de pimenta preta (moída)  + 1 cálice de Vinho do Porto + 1 pitada de sal



Primeiro parte-se as maçãs em cubos pequenos e adiciona-se o açúcar amarelo, o sal, a raspa de laranja, a pimenta preta e o Vinho do Porto e deixa-se estar a macerar durante 1 hora.



Bate-se a manteiga com o açúcar e o sal até obter uma mistura esbranquiçada. De seguida adiciona-se os ovos um a um. Bate-se mais um pouco e adiciona-se a farinha e o fermento alternadamente com o sumo da laranja. Depois de bem batido adicionam-se as maçãs e a calda onde estiveram a macerar.
Leva-se ao forno a 170 º em forma untada e polvilhada durante mais ou menos 30 minutos. Faz-se o teste do palito e se este sair limpo o bolo está pronto. Retira-se do forno e deixa-se arrefecer na forma. 
 
E está, o bolo que é tão simples e poesia.

"Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor."

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos"
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pão de Água.





Farinha, água, sal e fermento para uma receita minimalista de pão. Muito fácil de fazer é só misturar os ingredientes todos e esperar. Esperar muito tempo. Muitas horas, no mínimo 12, até que o processo todo esteja concluído. Chama-se no-knead bread, ou seja, pão não amassado, isto porque o processo de amassar e sovar o pão, para que o glúten se desenvolva, é omitido. Chamo-lhe pão de água, pela razão óbvia, a quantidade de água que leva a receita.

Fica aqui a minha versão. E fica também a referencia ao sitio onde nasceu este pão. 

A reportagem pode ser vista neste vídeo do New York Times.


Como fazer:

500 g de farinha + 1 saqueta de fermento de padeiro + sal + 400 g de água

Numa tigela grande colocar os ingredientes todos e misturar com uma colher de pau. Tapar com um pano e deixar estar assim pelo menos 12 horas.

Passado esse tempo forrar uma forma com papel vegetal e verter a massa. Levar ao forno durante mais ou menos 30 minutos (depende do forno) a 200 º. 

Quando estiver cozido retira-se e deixa-se arrefecer dentro da forma.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Do Abade.



É nacional mas nasceu no Minho. Em Vila Verde o Abade, de Priscos, criou este doce divino, pecaminoso e absolutamente viciante. É bom. Muito bom. Intenso, denso, à séria, com muitos ovos e muito açúcar. Como todos os doces conventuais. Uma das minhas perdições. Um dos meus pecados.

Para um doce magistral um prato lindo, lindo, que me aconteceu pelos meus anos.

Como fazer:

24 gemas de ovos + 500 g de açúcar +  2 dl de água + 2 lascas de presunto ou toucinho + 1 cálice de Vinho do Porto + 200 g de açúcar para o caramelo.

Primeiro faz-se o caramelo e barra-se uma forma de pudim. De seguida num tacho coloca-se o açúcar, a água e o presunto. Deixa-se estar durante 10 minutos. Entretanto, numa taça, misturar as gemas com uma colher de pau durante pelo menos 10 minutos e acrescentar o Vinho do Porto. Quando a calda estiver pronta, retira-se o presunto, e deixa-se arrefecer ligeiramente. Acrescenta-se então as gemas com o Vinho do Porto e a calda de açúcar e leva-se a forma ao forno em banho-maria durante 30 a 40 minutos. Depois de frio desenformar.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Beware, this could be poetry.












Um lugar especial, com alma. Um lugar que me é muito. Ao transpor as portas entramos num mundo imaginário. Como se entrássemos numa história, como muitas que fazem parte das páginas dos milhares de livros que coabitam neste espaço. E vale sempre a pena entrar neste sitio, mesmo que se saia de lá sem nenhum livro, a viagem vale sempre a pena.
Falar da Centésima Página é falar de um mundo de histórias, as dos livros, das pessoas e as do edifício. Quem passa pela Avenida Central não fica indiferente à Casa Rolão, um edifício do Sec. XVIII, em estilo Barroco e que está classificado de Interesse Publico desde a década de 70.
E é muito mais do que um lugar para comprar livros, aqui, o espaço é de convívio com os livros. O ambiente é tranquilo, sereno e acolhedor. As várias mesas disponíveis deixam-nos à vontade para nos sentarmos a ler o livro que estivermos a escolher. E o melhor, é que podemos fazer isso, enquanto tomamos um café com uma fatia de bolo absolutamente delicioso. Dentro ou fora, no jardim que parece fazer parar o tempo. 

But, beware, this could be poetry.