terça-feira, 21 de abril de 2015

Beware, this could be poetry.












Um lugar especial, com alma. Um lugar que me é muito. Ao transpor as portas entramos num mundo imaginário. Como se entrássemos numa história, como muitas que fazem parte das páginas dos milhares de livros que coabitam neste espaço. E vale sempre a pena entrar neste sitio, mesmo que se saia de lá sem nenhum livro, a viagem vale sempre a pena.
Falar da Centésima Página é falar de um mundo de histórias, as dos livros, das pessoas e as do edifício. Quem passa pela Avenida Central não fica indiferente à Casa Rolão, um edifício do Sec. XVIII, em estilo Barroco e que está classificado de Interesse Publico desde a década de 70.
E é muito mais do que um lugar para comprar livros, aqui, o espaço é de convívio com os livros. O ambiente é tranquilo, sereno e acolhedor. As várias mesas disponíveis deixam-nos à vontade para nos sentarmos a ler o livro que estivermos a escolher. E o melhor, é que podemos fazer isso, enquanto tomamos um café com uma fatia de bolo absolutamente delicioso. Dentro ou fora, no jardim que parece fazer parar o tempo. 

But, beware, this could be poetry.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Do Inverno.



Deste Inverno que vai logo, com muita chuva e muito frio, ficam as coisas boas da época. Porque podemos já não suportar mais a hostilidade da estação mas continuamos a querer ter à nossa espera, nestas noites frias e longas, uma sopa que nos reconcilie com as adversidades não só as do tempo mas também com as da vida.

Como fazer:

1 cebola + 2 dentes de alho + 2 courgettes + 1 talo de aipo + 2 batatas + sal + pimenta rosa + água + azeite + lascas de presunto

Primeiro parte-se os legumes em pedaços pequenos, tempera-se com o sal e a pimenta e adiciona-se o azeite. Leva-se ao lume brando tapa-se e deixa-se estar durante 10 minutos. Depois desse tempo acrescenta-se a água necessária até cobrir os legumes e deixa-se estar mais 20 minutos. No fim desse tempo passa-se com a varinha mágica até obter um puré. 
No momento de servir acompanha-se com umas lascas de presunto e pão estaladiço.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Descoberta.





Há coisas que nos conquistam de uma forma arrebatadora, sem deixar espaço para aqueles "ses" ou aqueles "mas", como este bolo absolutamente delicioso. Sem dúvida um dos melhores que fiz nos últimos tempos. A conjugação do chocolate com a fruta é uma combinação vencedora. Uma deliciosa descoberta. Para repetir mais vezes. Porque é assim que se quer a vida, doce e a saber a chocolate.

Como fazer. 

175 g de manteiga + 200 g de açúcar + 200 g de farinha com fermento + 4 ovos + 125 g de chocolate em pó + uvas passas + cerejas cristalizadas  + 2 maçãs partidas em cubos  + 50 ml de vinho do Porto  sal + 3 colheres de sopa de açúcar


Primeiro parte-se as maçãs aos cubos e as cerejas cristalizadas em pedaços pequenos. Leva-se ao lume as maças, as passas e as cerejas com o Vinho do Porto, as 3 colheres de sopa de açúcar e uma pitada de sal. Deixa-se estar 5 minutos, retira-se do lume e escorre-se a fruta reservando o Vinho do Porto.

Bate-se a manteiga com o açúcar e adiciona-se os ovos um a um, batendo bem entre cada adição.
Junta-se o chocolate, o sal e a farinha e mexe-se bem. Por fim junta-se as frutas escorridas.
Leva-se ao forno, pré-aquecido a 180 º, numa forma de bolo inglês untada com manteiga e polvilhada com farinha, durante 60 minutos.
Entretanto leva-se de novo ao lume o Vinho do Porto e deixa-se estar até reduzir.
Depois do bolo estar cozido retira-se do forno e rega-se com a redução do Vinho do Porto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Tecido encantado.








Se na mitologia grega a Penélope de Ulisses desfazia o seu bordado como forma de prolongar a espera pelo seu marido, as bordadeiras Portuguesas  fazem sair das suas mão verdadeiras obras de arte. Plenas de um significado matriarcal, carregadas de sentimento e encantamento.
O "tecido" é encantado. Porque encanta quem o faz. E encanta quem o recebe. O trabalho manual impressiona. Cada ponto, cada fio é um pensamento. Horas e horas de trabalho dedicado para  engalanar as nossas mesas. Para tornar ainda mais belo o momento único de partilha das refeições, aquele momento tão bem descrito por Tolentino de Mendonça " o deliberado espaço de multiplicação para a vida: partilhando o pão que expande a graça, bebendo o vinho que amplia a festa." 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Começar.








Gosto de começos. Gosto particularmente do primeiro dia do ano. Gosto de formular desejos, de antecipar coisas boas, mesmo que pelo caminho, às vezes, apareçam aquelas coisas pequeninas que nos magoam e muito. Gosto de saber que haverá a possibilidade de cozinhar sempre, com os registos aqui neste sitio, para memória futura das coisas que fiz. E para felicidade dos que estão comigo.
E gosto de saber que neste ano que está a começar houve a possibilidade de ter perto as pessoas que me são mais. 
Por isso, um brinde aos fins, que permitem novos começos muito mais bonitos.

Fica aqui a receita de um dos doces que fez a transição entre o fim e o começo do ano. E fica também a homenagem à bailarina Russa  Anna Pavlova que inspirou a criação deste doce.

Pavlova com Cream Chesse de Limão e Romã.

Como fazer:

6 claras + 300 g de açúcar + 1 pitada de sal + 1 colher de sopa bem cheia de Maizena + 1 colher de sopa de vinagre

Bate-se as claras em castelo com uma pitada de sal até formar picos, acrescenta-se aos poucos, por esta ordem,  o açúcar, a farinha e o vinagre.
Desenha-se um circulo de 22 cm numa folha de papel vegetal, coloca-se num tabuleiro de forno e coloca-se o merengue dentro desse circulo formando picos e ondas.
Cozinha-se em forno pré-aquecido a 150 º durante uma hora. Findo esse tempo desliga-se o forno e deixa-se arrefecer por completo lá dentro.

Entretanto prepara-se o creem chesse assim:

1 embalagem de natas + 1 embalagem de creem chesse + 4 colheres de sopa de açúcar + raspa de meio limão + bagos de romã

Leva-se a bater as natas até estarem firmes, acrescenta-se o creem chesse e de seguida o açúcar e a raspa de limão. 

Coloca-se este preparado no centro do merengue e por cima, estas perolas cor de rubi tão associada às paixões e à fecundidade, os bagos de romã.

Guarda-se no frio até ao momento de servir.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Fall.






Sabemos que é Outono pelas folhas que caem das árvores e que atapetam o chão com nuances amarelas e vermelhas. Sabemos que é Outono pelos frutos amadurecidos que pendem das árvores. Pela luz mais suave e poética. Pela noite que vem mais cedo, fria e húmida, a pedir alimentos mais ricos e quentes, agasalhos, velas e mantas espalhadas pela casa. Sabemos que é Outono, apesar do calor que se vai fazendo sentir. E para estes dias apetece muito um bolo cítrico. Como este. E música calma.

Inspirado aqui:  http://www.lovefood.com/guide/recipes/15198/sticky-orange-and-vanilla-upsidedown-cake-recipe

Como fazer:

Para a cobertura:

220 g de açúcar + 125 ml de água + 1 vagem de baunilha + 2 laranjas 

Para o bolo:

4 ovos + 220 g de açúcar + 250 g de farinha + 1 colher de chá de fermento + 150 g de manteiga derretida

Corta-se a vagem de baunilha, no sentido longitudinal, e raspa-se as sementes.
Leva-se a forma do bolo a lume brando com o açúcar, a água e as sementes de baunilha, até que o açúcar se dissolva. Junta-se as laranjas, cortadas em rodelas finas, e deixa-se cozer 10 a 15 minutos. Retira-se do fogo e deixa-se arrefecer ligeiramente.

Entretanto faz-se a massa do bolo assim:
Bate-se os ovos inteiros com o açúcar durante 10 minutos. Acrescenta-se a farinha e o fermento e mistura-se bem. Por fim a manteiga derretida e bate-se mais um pouco.
Verte-se por cima da calda de laranja e vai ao forno durante 45 minutos. Depois de cozido deixa-se arrefecer ligeiramente e desenforma-se.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tentação.



Uma sobremesa que não exige muito esforço, rápida e fácil de se fazer. Pêra e chocolate, uma combinação divina, decadentemente tentadora. Daquelas de se querer sempre mais e mais, até ficar viciado.

Como fazer:

Pêras + 2 colheres de sopa açúcar amarelo + 1 pau de canela + água + 1 pitada de sal + chocolate com 70% de cacau + 1 colher de chá de manteiga + 1 colher de chá de gengibre ralado

Leva-se ao lume a água com o açúcar, o sal e o pau de canela. Deixa-se ferver durante 10 minutos. Entretanto descascam-se as pêras e cortam-se em gomos grossos, eliminando os caroços. Acrescenta-se à calda de açúcar e deixa-se estar durante 5 minutos. As pêras devem ficar duras. Decorrido esse tempo retira-se da calda e leva-se ao frio de imediato, deixa-se estar até ao momento de servir. 

Entretanto faz-se a calda de chocolate assim: leva-se ao lume, em banho maria, o chocolate com a manteiga e deixa-se derreter lentamente. Retira-se do lume e acrescenta-se o gengibre ralado. 

No momento de servir é só fazer acontecer esta combinação feliz. 

É importante que as pêras fiquem bem frias para não se perder aquele contraste com o chocolate quente.