sábado, 3 de janeiro de 2015

Começar.








Gosto de começos. Gosto particularmente do primeiro dia do ano. Gosto de formular desejos, de antecipar coisas boas, mesmo que pelo caminho, às vezes, apareçam aquelas coisas pequeninas que nos magoam e muito. Gosto de saber que haverá a possibilidade de cozinhar sempre, com os registos aqui neste sitio, para memória futura das coisas que fiz. E para felicidade dos que estão comigo.
E gosto de saber que neste ano que está a começar houve a possibilidade de ter perto as pessoas que me são mais. 
Por isso, um brinde aos fins, que permitem novos começos muito mais bonitos.

Fica aqui a receita de um dos doces que fez a transição entre o fim e o começo do ano. E fica também a homenagem à bailarina Russa  Anna Pavlova que inspirou a criação deste doce.

Pavlova com Cream Chesse de Limão e Romã.

Como fazer:

6 claras + 300 g de açúcar + 1 pitada de sal + 1 colher de sopa bem cheia de Maizena + 1 colher de sopa de vinagre

Bate-se as claras em castelo com uma pitada de sal até formar picos, acrescenta-se aos poucos, por esta ordem,  o açúcar, a farinha e o vinagre.
Desenha-se um circulo de 22 cm numa folha de papel vegetal, coloca-se num tabuleiro de forno e coloca-se o merengue dentro desse circulo formando picos e ondas.
Cozinha-se em forno pré-aquecido a 150 º durante uma hora. Findo esse tempo desliga-se o forno e deixa-se arrefecer por completo lá dentro.

Entretanto prepara-se o creem chesse assim:

1 embalagem de natas + 1 embalagem de creem chesse + 4 colheres de sopa de açúcar + raspa de meio limão + bagos de romã

Leva-se a bater as natas até estarem firmes, acrescenta-se o creem chesse e de seguida o açúcar e a raspa de limão. 

Coloca-se este preparado no centro do merengue e por cima, estas perolas cor de rubi tão associada às paixões e à fecundidade, os bagos de romã.

Guarda-se no frio até ao momento de servir.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Fall.






Sabemos que é Outono pelas folhas que caem das árvores e que atapetam o chão com nuances amarelas e vermelhas. Sabemos que é Outono pelos frutos amadurecidos que pendem das árvores. Pela luz mais suave e poética. Pela noite que vem mais cedo, fria e húmida, a pedir alimentos mais ricos e quentes, agasalhos, velas e mantas espalhadas pela casa. Sabemos que é Outono, apesar do calor que se vai fazendo sentir. E para estes dias apetece muito um bolo cítrico. Como este. E música calma.

Inspirado aqui:  http://www.lovefood.com/guide/recipes/15198/sticky-orange-and-vanilla-upsidedown-cake-recipe

Como fazer:

Para a cobertura:

220 g de açúcar + 125 ml de água + 1 vagem de baunilha + 2 laranjas 

Para o bolo:

4 ovos + 220 g de açúcar + 250 g de farinha + 1 colher de chá de fermento + 150 g de manteiga derretida

Corta-se a vagem de baunilha, no sentido longitudinal, e raspa-se as sementes.
Leva-se a forma do bolo a lume brando com o açúcar, a água e as sementes de baunilha, até que o açúcar se dissolva. Junta-se as laranjas, cortadas em rodelas finas, e deixa-se cozer 10 a 15 minutos. Retira-se do fogo e deixa-se arrefecer ligeiramente.

Entretanto faz-se a massa do bolo assim:
Bate-se os ovos inteiros com o açúcar durante 10 minutos. Acrescenta-se a farinha e o fermento e mistura-se bem. Por fim a manteiga derretida e bate-se mais um pouco.
Verte-se por cima da calda de laranja e vai ao forno durante 45 minutos. Depois de cozido deixa-se arrefecer ligeiramente e desenforma-se.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tentação.



Uma sobremesa que não exige muito esforço, rápida e fácil de se fazer. Pêra e chocolate, uma combinação divina, decadentemente tentadora. Daquelas de se querer sempre mais e mais, até ficar viciado.

Como fazer:

Pêras + 2 colheres de sopa açúcar amarelo + 1 pau de canela + água + 1 pitada de sal + chocolate com 70% de cacau + 1 colher de chá de manteiga + 1 colher de chá de gengibre ralado

Leva-se ao lume a água com o açúcar, o sal e o pau de canela. Deixa-se ferver durante 10 minutos. Entretanto descascam-se as pêras e cortam-se em gomos grossos, eliminando os caroços. Acrescenta-se à calda de açúcar e deixa-se estar durante 5 minutos. As pêras devem ficar duras. Decorrido esse tempo retira-se da calda e leva-se ao frio de imediato, deixa-se estar até ao momento de servir. 

Entretanto faz-se a calda de chocolate assim: leva-se ao lume, em banho maria, o chocolate com a manteiga e deixa-se derreter lentamente. Retira-se do lume e acrescenta-se o gengibre ralado. 

No momento de servir é só fazer acontecer esta combinação feliz. 

É importante que as pêras fiquem bem frias para não se perder aquele contraste com o chocolate quente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Mar.




"... o oceano é um espelho fulgente
Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado,
Como em puro cristal, contemplas, retratado,
Teu íntimo sentir, teu coração ardente."

Charles Baudelaire

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Em dia de chuva.




Em dias de Verão não é suposto chover. Em dias de férias também não. Mas choveu. E ao fim de dois dias tristonhos, que mais parecem dias de Outono, a vontade de casa intensifica-se. Com ela vem o desejo de uma sopa mais consistente. Feita com os legumes da época, a lembrar que afinal ainda estamos no tempo dos dias grandes e de muito sol. Por esta altura o sabor do feijão verde acabado de colher, o intenso sabor dos tomates de rama e o sabor refrescante da hortelã.

Como fazer:

2 cebolas + 2 dentes de alho + 2 tomates de rama + 2 batatas + 2 cenouras + 1 courgette + feijão verde + sal + azeite + água + folhas de hortelã.

Primeiro coloca-se os alhos e as cebolas cortadas em cubos com um pouco de azeite o lume. Deixa-se estalar levemente. Depois junta-se o tomate, sem peles, também aos cubos e deixa-se refogar durante 5 minutos. Depois acrescenta-se os restantes legumes e metade do feijão verde, tempera-se com sal e deixa-se estar mais 5 minutos. De seguida acrescenta-se a água a ferver e deixa-se cozer durante 30 minutos. No fim desse tempo passa-se com a varinha mágica e acrescenta-se o restante feijão verde cortados em losangos e mais um fio de azeite. Deixa-se cozer mais uns minutos. No momento de servir junta-se  umas folhas de hortelã.

domingo, 10 de agosto de 2014

O sítio do costume.


 ”A única viagem verdadeira de descobrimento consiste não em procurar novas paisagens, mas em olhar com novos olhos” 

Marcel Proust





Porque há sítios que nos são infinitamente preciosos. E porque não devem ser trocados, só por trocar. O sítio do costume. No registo do costume. Com as rotinas do costume.
Para a primeira etapa das férias, dias de calma e pacatez. Para saborear até ao fim. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Das férias.









Sei que as férias começam verdadeiramente quando acontece este registo. Um ritual que se cumpre todos os anos a sós e em silêncio. No Majestic, com o seu estilo Belle Époque, a sua aura de requinte e magia, um sítio a que se regressa sempre, para saborear sem pressas.
E é como se fosse assim o quebrar de uma rotina e o começar de outra. O inicio de mais dias felizes e prazerosos.
Neste primeiro dia de férias o almoço foi assim: uma sopa fria de melão e moscatel, deliciosa. De seguida os já famosos preguinhos em pão. Uma delicia. Para voltar sempre.